Pródcast

Alguns de vocês talvez não saibam, mas estou ajudando em um blog chamado iPródigo, que está tomando bastante do meu tempo. Mas não se preocupe que tem coisas boas para nós que gostamos de estudar as doutrinas da graça. Convido os irmãos a ouvirem o Pródcast, nosso “programa de rádio”, onde discutimos atualmente as doutrinas da graça. “Totalmente depravado, eu?” trata, claro, da doutrina da Depravação Total, e tem um debate bem legal com o Pr. Rosther.

Sei que estou devendo atualizações, mas acho que esses podcasts compensarão um pouco!

ouça aqui:

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um abraço,

Josa

Falando sobre a Encarnação [ 2.12.3-4 ]

Calvindrier_expo_mailO reformador continua em sua explicação da necessidade de que o Filho tomasse a forma de homem. Era necessário que Deus se tornasse homem para a salvação, e não existia finalidade principal além dessas. Assim como um homem levou toda humanidade a perecer, não encontraríamos a salvação sem que alguém nos levasse a isso, pagando a dívida que era nossa e recebendo as penalidades que merecíamos.

“Deve-se sustentar principalmente aquilo que expus há pouco: que a natureza comum que temos com ele é o penhor de nossa união com o Filho de Deus, e que, vestido de nossa carne, destruiu ele a morte com o pecado, para que a vitória e o triunfo fossem nossos; ofereceu ele em sacrifício a carne que recebeu de nós, para que, feita a expiação, apagasse nossa culpa e aplacasse justa ira do Pai.” (2.12.3, p.222)

Embora esteja enfatizando a encarnação, Calvino novamente lembra que as duas naturezas, tanto divina quanto humana, são necessárias para entendermos nossa salvação. Se não houvesse essa bendita união, o plano de Deus não se mostraria tão perfeito. Como Deus, o redentor não poderia sofrer a morte necessária, mas como homem não poderia derrotá-la:

“Uma vez que, afinal, nem podia, como somente Deus, sentir a morte, nem como somente homem podia superá-la, associou a natureza humana com a divina, para que sujeitasse à morte a fraqueza de uma, no afã de expiar pecados; e, sustentando luta com a morte pelo poder da outra, nos adquirisse a vitória. Logo, aqueles que despojam a Cristo ou de sua divindade, ou de sua humanidade, na realidade lhe diminuem tanto a majestade quanto a glória, obscurecem igualmente sua bondade. Mas, por outro lado, não menos detrimento causam aos homens, cuja fé assim abalam e subvertem, a qual não pode permanecer firme a não ser neste fundamento.” (idem)

Após apresentar a doutrina, o reformador agora rebate certas especulações levantadas a respeito desse assunto. O que ele chama de “curiosidade demasiado estulta” é a ideia de que haveria a encarnação de Cristo mesmo se não fosse necessária a salvação da humanidade. Já vimos o reformador se indignar contra esse tipo de jogo teológico. Isto ele combate com a própria Palavra:

“Quando, porém, a Escritura inteira proclama haver-se ele revestido de carne a fim de que viesse a ser o Redentor, não passa de tremenda temeridade imaginar-se outra causa ou outro propósito… de fato, a não ser que ele tivesse vindo para reconciliar a Deus, posta por terra lhe estaria a honra do sacerdócio, visto que o sacerdote se interpõe por mediador entre Deus e os homens para fazer intercessão [Hb 5.1]. Não seria ele nossa justiça, pois foi feito vítima por nós para que Deus não nos impute os pecados [2Co 5.19]. Finalmente, despojado será ele de todos os louvores com que o adorna a Escritura.” (2.12.3-4, p.223s)

Nessa seção, Calvino nos apresenta de forma irrefutável como a Palavra proclama a salvação como missão do Salvador (ele cita: Hb 9.11,12,22; Is 53.4,5; Jo 3.16, 5.25, 10.15,17,18, 11.25; Mt 18.11, 9.12; Lc 1.79, 24.46,47; Rm 8.3; Tt 3.4, entre outros) . Mais que ser um mero exemplo de vida, um curandeiro, uma figura política, um filósofo galileu, Jesus deixou claro que veio à Terra para morrer por nossos pecados, unir-nos como seu povo e inaugurar seu Reino. E assim seus discípulos entenderam. Excluir a morte expiatória dos propósitos de Cristo é minimizar a Encarnação.